Parei então para pensar que a nossa vida é organizada a partir do nosso trabalho que ocupa, na teoria, 1/3 do nosso tempo. Então, você não tem tempo o bastante para sair com os amigos, conhecer gente nova etc e tal, MAS, o ser humano é um ser sociável por natureza - não importa o quanto "antissocial" você diz ser... voilá! A internet nos conecta com o mundo sem precisar parar tudo o que estamos fazendo para dá-la atenção.
Nela, você encontra o que tem nos livros, o que tem na vida urbana de outras sociedades e culturas, o que tem ao seu lado e você nem imagina, o que te dá uma sensação de prazer; enfim, conectar-se ao mundo sem tirar o traseiro do assento.
Ao mundo virtual.
Nele, você cria o seu personagem, aquele cara que você gostaria de ser, mas não pode por conta da índole da sua família, porquê você insiste em fingir ser a pessoa que não é pelos valores que tem, por conta da falta de tempo... enfim, você é quem você quiser do outro lado da telinha. Então, você "conhece" pessoas novas, joga conversa fora, ou mesmo interage com os velhos amigos.
A facilitadora nesse processo é a máquina, que te dá acesso à rede de comunicações maravilhosa.
Pouco a pouco, você vai deixando a realidade física de lado e vivendo a sua realidade virtual.
O maior prazer do ser humano é ser amado.
A máquina lhe faz onisciente, lhe dá controle de tudo, diferentemente da vida real, onde tudo o que você controla é o mouse.
A máquina faz o que você quer, ela lhe ama.
Você a ama.
A indústria adora isso, pois vende novas atualizações dos robôs que fazem parte de você. Ela vende a ideia de que você precisa estar conectado com o mundo.
Ela vende a ideia de que você está conectado com o mundo.
Ela vende a ideia de que você está conectado com a sociedade.
Ela vende o seu amor.
E você o compra.
Amor.
Digitei a palavra no site de busca mais popular e consegui "aproximadamente884.000.000 resultados de pesquisa em 0,30 segundos".
Onisciência.
Máquina.
Deixamos de agregá-la à nossa vida e passamos a nos agregar à ela.
Máquina.
Onisciência.
Amor.
Nosso vício, o nosso ócio... nós.










